Requiem é uma verdadeira carta de amor da Capcom à trajetória da série.
O aguardado retorno a Raccoon City finalmente aconteceu em Resident Evil Requiem. Como já é tradição nos grandes lançamentos da Capcom, o jogo está abarrotado de easter eggs, segredos e conexões que revisitam as quase três décadas de história da franquia de survival horror. De acenos emocionantes ao clássico Resident Evil 2 (1998) até referências diretas aos títulos mais recentes, separamos 28 detalhes insanos que provam que Requiem foi feito sob medida para os fãs mais apaixonados.
Para a velha guarda, o pico de nostalgia bate forte logo que Leon S. Kennedy pisa novamente na delegacia de polícia (RPD). O lugar pode estar em pedaços e reduzido a escombros, mas o peso emocional daquele cenário é inegável. E, como era de se esperar, cada corredor sombrio daquele prédio guarda um pedaço do passado.

1. Antes mesmo de entrar na delegacia, as ruas já dão um aperto no coração. Olhando para trás, você vai notar o mesmíssimo caminhão-tanque que causou a explosão e separou Leon e Claire no RE2 original. Ele continua lá, na mesma posição, 28 anos depois.

2. Ali pertinho do caminhão, há um prédio com um letreiro onde se lê “ARUKAS”. Essa é uma dupla homenagem: resgata um detalhe do cenário do jogo de 1998, que por sua vez era um tributo à personagem Sakura, de Street Fighter Alpha 2 (“Arukas” é Sakura lido de trás para frente). E essa nem é a única referência a Street Fighter espalhada pelo game.
3. Lembra do policial morto com o maxilar arrancado que encontramos pouco antes de dar de cara com o primeiro Licker em Resident Evil 2? Pois é, o esqueleto do coitado ainda está jogado exatamente no mesmo lugar, ainda sem a mandíbula inferior.

4. O tempo parou para os enigmas clássicos do local. A famosa estátua do leão segue no saguão principal, agora coberta por uma espessa camada de poeira. O jogo até brinca com isso num momento de quebra da quarta parede, com Leon comentando o quão bizarro aquele puzzle sempre foi.
5. Dar uma passadinha na sala dos S.T.A.R.S. é obrigatório. Além de itens icônicos (como a boina da Jill Valentine), há uma pequena caça ao tesouro armada por Barry Burton. Seguindo os rastros, você acha a chave de um armário com a inscrição “Jojo” — um easter egg direto do mangá JoJo’s Bizarre Adventure, idêntico ao que existia no RE2 clássico.

6. Dentro desse armário do “Jojo”, o jogador encontra duas entradas para o Zoológico de Raccoon City. Esse é o mesmo zoológico que serve de cenário em Resident Evil Outbreak, jogo que conta com a presença de Alyssa Ashcroft (a mãe de Grace).

7. O fundo desse mesmo armário é uma explosão de nostalgia da era do PS1: lá estão as caixinhas físicas do primeiro Resident Evil, de Street Fighter Alpha 2 e de Mega-Man 8, acompanhadas de um pôster de Street Fighter Alpha e de um console que é a cara do primeiro PlayStation.

8. O carismático e inusitado Tofu (personagem secreto e jogável do RE2) dá as caras escondido nas rachaduras das paredes do térreo da RPD. Se você for rápido no gatilho, dá até para atirar nele.

9. A emblemática mesa de Albert Wesker ataca novamente. Ao checar a lista de tarefas de Barry, você lê um memorando sobre os usos medicinais das ervas. Lá dentro, adivinha? A clássica foto de Rebecca Chambers, apelidada de “Rising Rookie Rebecca”. As iniciais (RRR) formam a senha para abrir a maleta de Wesker, que esconde um chaveiro com seus inconfundíveis óculos escuros.
10. Na área externa da delegacia, é possível visitar a garagem subterrânea onde Leon conheceu Ada Wong. Por lá, há um ursinho de pelúcia idêntico ao chaveiro da lancha que Ada joga para o Leon no final de Resident Evil 4.

11. Temos uma aparição muito sutil do aterrorizante Mr. X. Logo no começo da campanha, Grace passa por um homem na região de Wrenwood vestindo um terno e um chapéu que remetem imediatamente ao icônico Tyrant do remake de Resident Evil 2.

12. O lendário mercenário Hunk também está de volta. Mesmo que o jogo não diga o nome dele com todas as letras, ele aparece como um chefe na reta final. Leon chega a comentar que o sujeito é um oponente osso duro de roer, numa clara homenagem ao modo extra “The 4th Survivor”.
13. Perto do heliporto, os olhos mais atentos vão notar uma garrafa de vinho com o selo Dimitrescu. O rótulo “Sanguis Virginis” é o mesmíssimo daquele vinho macabro usado para resolver um dos enigmas do castelo em Resident Evil Village.

14. Na sala de Spencer, preste atenção em um quadro emoldurado com a letra “M”. É um aceno direto a Mother Miranda, a grande antagonista de Village e mentora de Ozwell E. Spencer.

15. Repare no anel de Victor Gideon: ele tem o formato de uma cobra, com um design que lembra demais os detalhes entalhados na faca de sobrevivência de Krauser em RE4.
16. A protagonista Grace solta comentários super irônicos sobre as trancas mirabolantes das portas, tirando sarro da famosa lógica de puzzles absurdos que a franquia tem desde os anos 90.
17. Aquela clássica e demorada tela preta de “abrindo a porta” dos jogos antigos ganha uma releitura genial: um plano de câmera lenta surge em cena segundos antes de o Doctor atacar com sua motosserra.
18. A física do jogo traz detalhes macabros. Por exemplo: se você eliminar um zumbi enquanto ele segura uma motosserra ligada, o equipamento continua funcionando e sai arrastando o corpo do monstro pelo chão da sala.

19. Falando nisso, a interação física é tão detalhada (e violenta) que você pode acabar presenciando um zumbi sendo empalado acidentalmente pela própria arma.
20. Lendo os prontuários médicos espalhados pelos cenários, você descobre a identidade e os traços de personalidade hilários de alguns mortos-vivos. A zumbi Eileen Zimmerson, por exemplo, tinha sido diagnosticada com “síndrome de personagem principal”.
21. O inimigo gigante apelidado de Chunk é, na verdade, Thomas K. Jackson. Já a variação dele que enfrenta o Leon se chama Timothy B. Jackson. A lore do jogo explica que eles eram irmãos e ambos sofriam de graves transtornos alimentares.
22. Há um detalhe incrivelmente bizarro envolvendo uma “zumbi faxineira”: ela fica tentando esfregar o sangue dos espelhos do cenário e chega até a limpar os restos mortais que o jogador deixa espalhados após os combates.

23. Tente atirar no helicóptero onde a personagem Emily está escondida e surpreenda-se: o piloto Harry Reed tem falas de diálogo exclusivas (e irritadas) que a Capcom gravou só para quem tenta essa gracinha.

24. Assim que você assume o controle da moto, um outdoor nas ruas de Raccoon City exibe a frase “Learn to Steer” (“Aprenda a Dirigir”). Uma forma criativa de camuflar uma instrução de tutorial no próprio ambiente.
25. O nível de detalhe nas animações impressiona. Quando Leon precisa recarregar a arma de fogo enquanto segura a lanterna, ele apoia a luz no ombro de um jeito fluido, tático e extremamente realista.
26. Recarga tática levada a sério: tanto Grace quanto Leon guardam o pente de munição no bolso se ele ainda tiver balas. Eles só descartam o carregador jogando-o no chão se ele estiver totalmente vazio.
27. Encontrou uma cabeça decepada em uma quadra de basquete? Experimente chutá-la até fazer uma cesta! Fazer isso libera novas dicas misteriosas, como a frase enigmática “just ignore A“.

28. O segredo mais complexo da trama envolve o braço decepado de The Girl. Ao examiná-lo, você vê a frase “Let’s Play” e as letras G, A, U e C. Vários arquivos do jogo conectam o G a 15.000.000, o U a 380.000 e o C a 4.2 LY. Inserindo essa sequência em um puzzle de sol, lua e estrela, você escuta uma risada macabra. Fica no ar o mistério: será esse um gancho para o futuro da série?

E aí, curti as referências?
Resident Evil Requiem vai muito além de um simples passeio nostálgico pelas ruas devastadas de Raccoon City. É uma celebração muito cuidadosa e respeitosa da jornada da franquia, mostrando que a Capcom sabe muito bem como usar a memória afetiva de sua comunidade. Para a galera que cresceu grudada na TV jogando o PS1, esses segredos não são apenas easter eggs, mas sim a prova de que o legado da série segue mais vivo do que nunca.
